25/06/2010
Artrite reumatoide em crianças: uma realidade que atinge todas as idades

Fonte: Pfizer

Diferente do que se possa imaginar, a artrite reumatoide (AR) não é um mal que acomete apenas adultos. Uma em cada mil crianças desenvolve algum tipo de artrite idiopática juvenil (AIJ) antes dos 16 anos de idade1,2. Suas causas ainda são desconhecidas, mas acredita-se que fatores genéticos contribuam para o aparecimento da doença. “Chamamos de idiopática justamente porque não conhecemos as causas. Por ocorrer na infância e adolescência há muitos fatores fisiológicos que devem ser considerados na abordagem dessas crianças”, explica Blanca Bica, reumatologista pediatra e professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Existem formas diferentes de início da artrite idiopática juvenil. De maneira geral, elas apresentam sintomas como inflamação e rigidez articular ao acordar e dor constante em uma ou várias articulações. Em alguns casos são observados febre, exantema (manchas rosadas na pele), aumento dos gânglios e uveíte (inflamação dos olhos). A doença causa sérios impactos na vida de crianças e consequentemente na de seus pais, que sofrem junto com os filhos. Por isso, os pacientes relatam constantes frustrações devido a restrição às atividades físicas que não conseguem realizar – o que explica os quadros depressivos em mais de um quinto desses adolescentes³.

A AIJ pode resultar em graves deformidades nas articulações e é a causa mais comum de deficiência física com início na infância. Na literatura médica há relatos de diagnóstico já durante os primeiros seis meses de vida. Cerca de 50% dos pacientes jovens que apresentam essa forma de artrite tornam-se adultos com a doença ativa (progressiva) e com alguma incapacidade funcional – ou seja, com limitações para atividades rotineiras, entre elas caminhar.  

Para se diagnosticar a AIJ, além da história clínica e exame físico detalhados, deve ser avaliado o histórico familiar e eliminadas as outras condições clínicas que podem se assemelhar. Muitas vezes a inflamação articular pode não ser imediatamente aparente e a criança pode não se queixar de dor, o que dificulta a identificação da doença. Por ser associado a um problema de idosos, muitos pais nem imaginam que seus filhos possam apresentar uma artrite e podem minimizar alguns sintomas. “Observa-se uma incidência maior de algumas formas de AIJ em meninas, mas não se sabe o porquê dessa proporção desigual”, explica Blanca. Por acometer crianças e adolescentes, algumas condições como infecções, câncer infantil, traumas, doenças ósseas e lúpus podem dificultar mais ainda o reconhecimento da AIJ, porque podem apresentam sintomas semelhantes.  

O tratamento consiste no alívio da dor, no controle dos sintomas da inflamação e manutenção das funções motoras. Tradicionalmente, são indicados anti-inflamatórios não-esteróides para minimizar a dor e inchaço. Mas infelizmente esta terapêutica não impede o avanço do quadro, embora possa ser efetiva em alguns pacientes. Há também as drogas modificadoras da progressão da doença (DMARDs), que já podem estacionar a artrite. Em casos mais severos são indicadas aplicações de corticóides (anti-inflamatórios mais potentes)  diretamente nas articulações comprometidas.

Como opção a esses métodos, surgiram os medicamentos biológicos, que atuam de forma mais seletiva. Quando há uma inflamação no organismo, uma espécie de proteína que estimula o processo inflamatório é liberada (o chamado Fator de Necrose Tumoral, o TNF). Alguns medicamentos biológicos como o etanercepte (Enbrel), que tem administração via aplicação subcutânea, atuam bloqueando o TNF. Enbrel, da Pfizer, tem um bom perfil de segurança e tem sido aplicado no tratamento de doenças inflamatórias há mais de 17 anos, incluindo períodos de estudos clínicos. “A indicação dos tratamentos é feita de maneira bem individual, caso a caso, levando-se em consideração o quadro apresentado e a resposta ao tratamento instituído. Só a partir dessa avaliação é que decidimos por uma intervenção mais efetiva”, explica a especialista.
 

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