A interação entre médico e paciente é fundamental para um diagnóstico correto da fibromialgia, pois não há raio-x ou exame de sangue que acuse a doença. A constatação é feita exclusivamente por meio da consulta médica. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente conhecida. O aspecto central é uma sensibilidade dolorosa amplificada e associada ao aumento do estresse. Embora, os especialistas saibam que a síndrome se desenvolve predominantemente nas mulheres, ainda não há uma explicação precisa para isso. “Acredita-se em influência genética, hormonal e cultural”, explica o reumatologista José Eduardo Martinez, professor da Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba e membro da Comissão de Fibromialgia, Dor e outros Reumatismos de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Algumas pessoas acreditam que por sentir dor em várias partes do corpo, já têm a doença. Porém, a fibromialgia não é a única causa de dores músculo-esqueléticas. “Por isso, cabe ao paciente explicar com detalhes como é a dor que sente, além de informar outros sintomas que a acompanham. Essas informações associadas a um bom exame físico marcam o diferencial do diagnóstico”, afirma o especialista.
Dados recentes demonstram que a patologia é diagnosticada em pelo menos 5% dos pacientes que vão a um consultório de clínica médica devido a algum tipo de dor e em 10% a 15% dos pacientes que procuram um consultório de reumatologia.
Vale também prestar atenção em outros sintomas que acompanham essas dores, como a fadiga exagerada, distúrbios do sono, dores de cabeça, alterações intestinais, entre outros. “Com essas informações, o médico terá mais subsídios para um diagnóstico correto, sempre relacionando esses dados ao histórico do paciente e aos achados do exame físico”, conta o professor Martinez.
Diferentemente das demais doenças reumáticas, a fibromialgia não atinge predominantemente as articulações. Mas a dor, de moderada a intensa, toma conta do corpo todo. “Estima-se que cerca de 4% da população mundial sofra com a doença e que existam 4,8 milhões de fibromiálgicos no Brasil, mas apenas 2,5% deles recebem tratamento adequado”, explica José Eduardo.
A sensibilidade ao toque é o que mais incomoda os pacientes fibromiálgicos, pois muitas vezes um simples carinho pode desencadear uma dor insuportável. Porém, se tratado adequadamente, o paciente pode levar uma vida com boa qualidade. “Mas para que isso ocorra o paciente deve mudar a sua postura diante do estresse, praticar exercícios e seguir as orientações médicas buscando uma melhor qualidade de vida”, alerta o reumatologista.
Sabe-se que os exercícios físicos auxiliam muito na recuperação de pacientes, pois atuam nos mecanismos da dor, combatem o estresse, depressão e ansiedade, além de melhorar o condicionamento físico. É muito importante que a pessoa com fibromialgia entenda que assim como o tratamento medicamentoso, que atualmente pode ser feito com Lyrica (pregabalina), antidepressivos e analgésicos, a atividade física regular deve ser mantida continuamente para uma melhora gradativa.
“Os exercícios físicos reduzem a sensação de dor e diminuem os distúrbios do sono, já que várias substâncias são liberadas durante a prática, como endorfinas (analgésicas) e somatostatina (promove o trofismo muscular). As atividades aeróbicas, porém, devem ser de baixo impacto, como caminhadas, natação e hidroginástica”, finaliza José Eduardo.