General Electric (GE), Bayer e Avid Radiopharmaceuticals estão correndo para dar aos médicos uma ferramenta que procuram há 100 anos: um teste inicial para o mal de Alzheimer. Um diagnóstico rápido e definitivo permitiria aos pacientes iniciar mais cedo o tratamento com medicamentos, participar de testes clínicos com medicamentos experimentais e planejar o futuro. Se um teste der negativo, o médico poderá buscar outras causas dos lapsos de memória, como pequenos derrames cerebrais.
As companhias estão desenvolvendo corantes que identificam grupos de proteínas cerebrais chamadas beta amilóide, que são sinalizadores do mal de Alzheimer. A Avid, uma companhia iniciante da Filadélfia, completou o estágio final de testes necessários para a aprovação nos Estados Unidos e pretende submeter um pedido de aprovação à Food & Drug Administration (FDA) antes do fim do ano. Isso poderá dar a ela uma vantagem de um ano antes da chegada ao mercado dos produtos da GE e da Bayer. As três companhias apresentaram seus dados na Conferência Internacional sobre Alzheimer realizada em Honolulu entre 10 e 15 de julho. Até 5,1 milhões de americanos podem sofrer da doença, segundo a National Institutes of Health. No mundo, o mercado de novos corantes de diagnóstico pode estar avaliado em US$ 3 bilhões, segundo estima a consultoria Scientia Advisors de Cambridge, Massachusetts.
Os corantes são elaborados para provocar concentrações de beta amilóide que se iluminam quando o cérebro de um paciente é escaneado com tomografia por emissão de pósitrons (PET na sigla em inglês). Atualmente, as proteínas que "contam histórias" podem ser vistas apenas em autópsias. Para detectar a doença logo no início, os médicos precisam recorrer a testes de memória, histórico familiar e entrevistas com parentes. Embora não exista cura para a doença, medicamentos como o Aricept, da Pfizer, e o Eisai, podem aliviar os sintomas e ser especialmente benéficos se administrados em um estágio inicial. Assim que os novos agentes por imagem estiverem disponíveis, o mercado de Alzheimer poderá crescer para US$ 10 bilhões, segundo a Scientia.
A liderança inicial da Avid não é garantia de sucesso. A destreza na comercialização também conta, assim como a exatidão dos escaneamentos cerebrais produzidos com a ajuda dos corantes. "Quando você está participando de uma maratona, é difícil você dar uma arrancada lá de trás se não for superior", diz Harry Glorikian, sócio-gerente da Scientia.
Jonathan Allis, diretor global de imagiologia da GE Healthcare, afirma que apenas a sua companhia tem a combinação de hardware, software e "wetware" (biologia, para os leigos) para prevalecer. "A imagiologia do amilóide sozinha não é suficiente", diz ele. O diagnóstico e o tratamento também deverão envolver avaliações comportamentais e o monitoramento de proteínas anormais no sangue. Depois, há a "necessidade de análises de softwares potentes para ajudar os médicos a entender tudo", diz Allis.
O grupo farmacêutico alemão Bayer não tem presença no mercado de equipamentos médicos. Mas está no mercado de diagnósticos desde a década de 1930 e os agentes de imagiologia são uma consequência natural desse negócio, afirma Barbara Putz, diretora de desenvolvimento clínico e imagiologia molecular da Bayer.
Para compensar seu tamanho pequeno, a Avid poderá optar por conseguir um parceiro que a ajude a vender seu teste de Alzheimer, Um candidato pode ser a Siemens. Além de produzir o corante para a Avid, a companhia alemã vende uma série de equipamentos de diagnósticos por imagens que incluem os escaners PET. Daniel M. Skovronsky, executivo-chefe da Avid, não quis fazer comentários sobre o futuro das relações com a Siemens, limitando-se a dizer que companhias iniciantes como a Avid precisam de parceiros e apoiadores fortes. "Estamos sempre pensando de onde virá nosso próximo dólar", disse Skovronsky.
Uma das maiores contribuições dos testes poderá ser estimular o desenvolvimento de novos tratamentos para o Alzheimer. P. Murali Doraiswamy, que comanda a divisão de psiquiatria biológica do Institute de Ciências do Cérebro da Duka University e está envolvido nos testes do medicamento da Avid, acredita que os corantes proporcionarão aos pesquisadores uma verdadeira janela para a doença. Murali afirma: "Você poderá pegar pacientes que possuem níveis mais altos de amilóide, expô-los a tratamentos e ver se os tratamentos estão eliminando os amilóides do cérebro ou não."