Veículo: Brasil Econômico
Jornalista: Domingos Zaparolli
Do limão à limonada. Não há gestor que não sonhe com a possibilidade de transformar problemas em doces ganhos econômicos. Esta oportunidade surgiu para Marcos Ravanini, diretor industrial da Sanofi-Aventis no Brasil, no final de 2008, apresentada por dois gerentes, Tercio Ghizellini e Frederico Bassini.
O problema, comum a todas as indústrias farmacêuticas, é a obrigatoriedade de manter por 10 anos um controle detalhado de cada etapa da produção e embalagem dos lotes de medicamentos produzidos, um documento contendo mais de 50 folhas. Na fábrica da companhia emSuzano (SP), amaior do grupo nomundo comprodução de 200 milhões de unidades, são geradas 300 mil folhas por ano, que pesam 1,4 tonelada e ocupam uma área de 150 m². A solução está emfase final de implementação e se constitui
em um inovador controle eletrônico que eliminou papéis e melhorou a qualidade final do processo produtivo. A economia anual gerada é de R$ 1,7 milhão.
Christopher Viehbacher, presidente mundial do grupo, conheceu o sistema no início do ano e recomendou sua adoção em outras unidades. O modelo já está sendo exportado para Turquia, Colômbia, México e Venezuela. A estimativa é que nestes países, que somam uma produção de 300 milhões de unidades anuais, o sistema gere uma economia de R$ 2,5 milhões. O controle eletrônico também poderá
ser adotado pelas fábricas da Austrália, África do Sul, Índia, Paquistão, Senegal, Marrocos e Egito.
“É um sistema de baixo custo e que gera ganhos diretos e indiretos em todo o processo produtivo”, diz Ravanini.
Estas unidades da Sanofi-Aventis, a exemplo da fábrica de Suzano, adotam o sistema de gestão empresarial da alemã SAP. Ghizellini e Bassini usaram omódulo de instrução de processo para desenvolver a solução. As anotações manuais em papel de cada etapa produtiva, com informações sobre fornecedores, quantidades de insumos utilizadas, a ordem da formulação do produto, a hora de produção, operador e outros detalhes passou a ser feita eletronicamente e arquivada num sistema de intranet.
Aparentemente, não é nada diferente que outras empresas já fazem em seus processos produtivos. Mas, como relata Ravanini, ninguémna indústria farmacêutica procede assim, por um motivo simples. “Os sistemas eletrônicos disponíveis são vulneráveis, sujeitos a erros de registro e atémanipulação, o que tira a credibilidade do processo”, afirma o executivo.
O sistema desenvolvido na Sanofi bloqueia o processo produtivo quando há erros e ainda adota o sistema de assinatura eletrônica, gerando maior confiabilidade. “Não há nada parecido em nosso setor”, diz Tercio Ghizellini. O custo de implementação do processo na fábrica de Suzano foi de R$ 120 mil. Marcos Ravanini relaciona entre os benefícios do sistema a eliminação de papéis, a rastreabilidade do processo produtivo, ganhos no controle de qualidade, eliminação de retrabalhos e, principalmente, redução de erros.
Apenas em Suzano, a destruição demedicamentos inadequados gera uma despesa anual de R$ 3,5milhões. “Já reduzimos em20% esta conta”, diz. Ghizellini e Bassini forampromovidos.
INVESTIMENTOS
€ 11 milhões é o orçamento de 2011 da fábrica em Suzano da Sanofi. Um novo granulador com capacidade de produção de 800 kg anuais chega em novembro. Substitui o de 250 kg.
CAPACIDADE
450 milhões é a produção da Sanofi-Aventis no Brasil e de sua controlada Medley. A capacidade será ampliada em 50 milhões em 2012 com nova unidade Medley em Brasília.
MAIS ÁGIL COM MENOS ERROS
Os benefícios do controle eletrônico da Sanofi-Aventis
- Mais agilidade. Hoje, o operador tem todas as ferramentas na tela do computador: se tem alguma dúvida, confere o procedimento na intranet. Antes, precisava consultar no arquivo manual.
-Rastreabilidade mais rápida
-Controle mais rigoroso. O programa avisa na hora se há alguma etapa incompleta e só permite seguir para a próxima fase se for corrigido o erro apontado.
-Maior precisão e qualidade dos dados
-Redução do tempo gasto na verificação de documentos: ganho de 8 mil horas por ano e aumento do tempo no gerenciamento de processos. Profissionais realocados para atividades estratégicas.